quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Declarando Paz aos Muçulmanos


Vivemos num mundo em turbulência. Por mais que o avanço tecnológico seja uma realidade irreversível e a globalização, com as suas supostas virtudes, seja pregada aos quatro ventos pelos profetas da nova “ordem mundial” como a solução para todos os problemas, a distância entre o mundo rico e o mundo pobre continua aumentando. Como consequência, todos os dias escutamos de guerras em todos os pontos cardeais, ao mesmo tempo que milhares de pessoas morrem diariamente de fome no continente africano. O terrorismo, com suas diferentes facetas, continua aterrorizando o nosso dia a dia, as vezes atacando na América do Sul, outras na Europa, na África ou na Ásia.

O modernismo, com a sua centralidade no ser humano, falhou. Já é coisa do passado. Isto levou a classe intelectual a perder a grande confiança que tinha no humanismo exacerbado dos séculos 19 e 20 e começou a empurrar-nos ao pós-modernismo, com sua espiritualidade controlada pela “Nova Era” e com sua ênfase nos espíritos, no sobrenatural e numa religiosidade que mistura o materialismo com as crenças orientais.

No meio de tudo isto, e aparentemente sem se importar com o pós-modernismo ou com a globalização (mas em muitos casos aproveitando-se dos mesmos), uma força mundial, que não passa desapercebida a ninguém, continua crescendo: o Islamismo. Todos os dias vemos e escutamos nos meios de comunicação notícias relacionadas com algum país muçulmano. Geralmente estas notícias se referem a alguma guerra ou, então, a algum desastre natural, ou a extrema pobreza de alguns países muçulmanos como o Afeganistão, Bangladesh e Sudão. Nos últimos dias os meios de comunicação estão informando-nos sobre as manifestações de muçulmanos em todo o mundo como conseqüência da publicação das charges de Maomé em diferentes jornais e revistas europeus.

Com tanto “barulho”, são poucos os que conseguem manter uma opinião imparcial sobre o Islamismo. Infelizmente, parece que a grande maioría das pessoas que vivem no ocidente vão formando uma opinião bastante negativa quanto aos muçulmanos, e a opinião quase generalizada é de que todos os muçulmanos são perigosos e estão prontos a matar o primeiro “cristão” que encontrarem na frente. A situação piorou muito depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, a invasao do Iraque e os atentados em Madrid e Londres.

E a igreja? E os cristãos? Como estamos nos posicionando em meio a estas diferentes realidades? Estamos deixando nos levar pelos meios de comunicação na nossa percepção sobre os muçulmanos? Infelizmente parece que na sua grande maioria mesmo os cristãos que se dizem comprometidos possuem uma percepção distorcida da situação.

Recentemente, quando eu estava numa reunião de pastores num país europeu, promovendo uma Conferência Missionária sobre o mundo muçulmano, fiquei impressionado com o rancor e o racismo demonstrado por alguns pastores em relação aos muçulmanos que foram tentar a vida na Europa e viviam na sua cidade.

Numa outra situação, conversando por telefone com um pastor sul americano, ele me disse: “Olha, ainda bem que eu não sou Deus, porque se eu fosse, estes muçulmanos não teriam lugar no céu.” Certamente o tom era de brincadeira mas eu me pergunto quanta verdade se esconde detrás desta “brincadeira”, e quão representativo este comentário deve ser do povo evangélico brasileiro e latino de uma forma geral.

Como chegamos a isto e qual deve ser a resposta Bíblica à esta situação?

É clar que não estou fechando os meus olhos à dura realidade da perseguição que os cristãos sofrem em muitos países muçulmanos. Eu vivi sob esta realidade. Tampouco estou negando o que se vê com muita frequência nos meios de comunicação: grupos radicais muçulmanos atacando interêsses ocidentais e, com isto, matando a milhares de inocentes.

É certo que a grande maioria dos governos muçulmanos são hostis aos cristãos. Também é certo que certos grupos muçulmanos, utilizando passagens do Alcorão como justificativa, declaram a guerra santa e levam o terror a diferentes partes do mundo.

No entanto, tudo isto não ocorre num vazio histórico e os países ocidentais também possuem parte da responsabilidade pelo que está acontecendo. Enquanto escrevo estas linhas, o Afeganistão e o Iraque, dois paises muçulmanos, sao palcos de uma guerra que, até agora, nao tem um final previsível. É importante que entendamos que os muçulmanos de todo o mundo veem estas guerras como um ataque dos países cristãos aos muçulmanos. A grande maioria dos muçulmanos em todo o mundo interpreta esta situação como uma nova Cruzada, como uma Guerra Santa, e creio que a resposta do povo evangélico não deve ser declarar guerra, nem mesmo a guerra espiritual, aos muçulmanos.

Por isto, creio que é o momento adequado para que nós, os evangélicos brasileiros e de todo o mundo, possamos transmitir ao povo muçulmano o mesmo amor que Cristo mostrou pelos pecadores. É o momento para que enviemos mais obreiros brasileiros para cooperar na tarefa de estabelecer a Igreja de Cristo, tendo em mente que os obreiros anglo-saxões terão cada vez mais dificuldades para permanecerem nos países muçulmanos. É o momento para que, esqueçendo-nos da “Teología da Batalha” contra os muçulmanos (mas sem esquecer-nos de que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo”), possamos declarar a Paz de Cristo ao povo muçulmano, vivendo entre eles com um testemunho integral, proclamando as boas novas e ajudando os menos favorecidos com os nossos dons, profissões e recursos financeiros.

Minha oração é que o Senhor dê a todos nós, povo evangélico brasileiro, muita sabedoria para discernir o momento histórico em que vivemos e, tendo em mente os erros que foram cometidos no passado, sejamos capazes de declarar PAZ AO ISLÃ.

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Filipenses 4.7

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um... E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto... Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da familia de Deus...” Efésios 2.14-19.

Marcos

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Judeus e Muçulmanos: um antigo problema atual.


Tenho acompanhado com bastante interesse alguns acontecimentos recentes relacionados com o Irã (país que defende um islamismo radical) e Israel. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, há meses vem fazendo declarações polêmicas contra Israel, inclusive dizendo que o estado judeu deveria desaparecer do mapa, ou que o holocausto é uma invenção e que realmente nunca aconteceu. Como era de se esperar estas declarações fizeram com que os mandatários de vários países condenassem as declarações de Ahmadinejad. Ao mesmo tempo Israel não se fez esperar e um dos candidatos ao cargo de primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, já disse que, caso for eleito nas eleições de março, atacará as instalações nucleares iranianas pois ele (assim como muitos líderes políticos ao redor do mundo) acredita que o que o Irã realmente planeja é construir armas nucleares para atacar Israel e adquirir uma maior hegemonia na região, aproveitando que a situação no Iraque se complica a cada dia.

Como sabemos, o confronto entre judeus e muçulmanos adquiriu maior expressão com a criação do Estado de Israel logo depois da Segunda Guerra Mundial. Muçulmanos de todo o mundo nunca conseguiram digerir o que aconteceu ao povo palestino (composto na sua maioria por árabes muçulmanos, mas com uma importante minoria árabe-cristã) que vivia na região há muitos séculos e que, de um momento para outro, se viu destituído de suas casas, propriedades, trabalhos, etc., como conseqüência da chegada dos judeus, apoiados pelas principais potencias da época. Em qualquer conversa com muçulmanos sobre a situação atual do Oriente Médio, é quase impossível que este acontecimento não seja citado. Obviamente tanto judeus como muçulmanos possuem os seus argumentos, uns mais válidos que outros.

O que mais me preocupa, no entanto, é ver que existe uma longa trajetória na escritura e história islâmica contra os judeus, e isto dá ainda mais incentivo para que grupos radicais muçulmanos atuem contra Israel e seus aliados. Sob a liderança de Maomé (ao redor do ano 620) cerca de 700 judeus na cidade de Medina foram executados, supostamente por terem traído o exército muçulmano. No entanto, alguns historiadores dizem que a sentença foi tão severa porque os judeus não queriam aceitar Maomé como um profeta. Ao mesmo tempo, nas Suras 2:109, 2:120 e 3:100 do Alcorão os fiéis muçulmanos são exortados a tomarem muito cuidado com os judeus e cristãos pois, o que eles querem, é desviar os muçulmanos dos caminhos de Deus. Na Sura 5:85 os judeus são mencionados, juntamente com os pagãos, como os piores inimigos dos muçulmanos. Como se isto não fosse suficiente, os muçulmanos (com base nas Suras 7:166, 2:60 e 5:65) acreditam que Deus transformou alguns judeus em macacos e porcos por causa da sua desobediência, e que hoje em dia os porcos e macacos que vemos nos diferentes lugares podem ser descendentes destes judeus!

Se as razoes para tamanha desavença entre muçulmanos e judeus fossem somente políticas, provavelmente haveria a possibilidade de uma resolução mais rápida do conflito. No entanto, com os aspectos histórico-teológicos mencionados acima, creio que uma resolução se torna bem mais complexa, principalmente se levarmos em conta que os religiosos judeus também possuem várias razoes histórico-teológicas para justificarem o seu enfrentamento com os palestinos. Oremos para que o Senhor de muita sabedoria aos líderes dos países envolvidos nestes conflitos, neste momento em que a estabilidade mundial está bastante ameaçada pelos conflitos religiosos, étnicos, sociais e geopolíticos que estão afligindo uma boa parte da humanidade.

Marcos

Vínculos para outros artigos escritos pelo Marcos, relacionados com o tema acima:

Nos vemos no Brasil!


No começo de Março de 2006 estamos planejando passar uns três meses no Brasil antes de voltarmos para o sul da Espanha. Queremos visitar parentes, amigos e as igrejas que nos apóiam, para compartilhar sobre a próxima etapa do nosso ministério, que será na liderança do Instituto Ibero-Americano de Estudos Transculturais. Este centro de treinamento missionário visa o aperfeiçoamento de obreiros latinos que já estão trabalhando no mundo muçulmano, e que sentem a necessidade de reciclar seus conhecimentos para a realização de um ministério ainda mais eficiente. Esperamos vê-los em breve!

Marcos